Intervenções na Cidade
A Arquitectura no itinerário dos Vazios Urbanos
O Vazio está em nós.
Espaços há na cidade que não são Cidade.
Este projecto é de nenhum lugar.
Este projecto é de todos os lugares da cidade que aguardam ser Cidade.
Um lote expectante.

Proporcionar estacionamento aos moradores.
Promover o encontro com o Outro.
As propostas que potenciam a identidade colectiva alicerçam-se na resposta às necessidades básicas da população.
A estrutura consolida a envolvente e liberta o solo.
O solo libertado abre-se à cidade como estacionamento, espaço de troca e comércio.
A Cidade apropria-se da estrutura como ponto de encontro, espaço de troca de ideias e de comunicação.
Uma estrutura metálica, modular, cruza o lote e estratifica três níveis:
Outras manifestações da cultura urbana, como o graffiti, podem dispôr desta zona como uma galeria de arte em constante mutação, promovendo o encontro de “culturas” e a não marginalização destas.
Quando aberta, a bancada do piso superior funciona como cobertura deste espaço.

Nível 1 – Assume-se como um misto de janela sobre a cidade, de palco e de jardim coberto. Alguns bancos e caldeiras com espécies arbóreas dissimulam-se na estereotomia do material que unifica o espaço. Uma bancada móvel confina ou expande esta caixa de madeira, conferindo liberdade à sua utilização: pátio ou anfiteatro, lugar de sossegadas leituras ou de animados debates, fechando-se no recolhimento do indivíduo ou projectando-se nos eventos culturais que acolhe.
Nível 2 – É uma zona vocacionada para actividades lúdicas de uma população infanto-juvenil.
A vegetação acolhe-nos no seu regaço, cortando a relação com a envolvente e elegendo o céu como único ponto de fuga físico e espiritual.
O pavimento sintético, em placas de borracha reciclada, faz uma aproximação cromática aos elementos naturais e estabelece a transição entre os planos horizontal e vertical, como um prolongamento da área de brincadeiras.

Um conjunto de rampas serpenteia neste sistema estrutural, assegurando plena mobilidade e o usufruto democrático das suas valências.
Funciona, também, como percurso expositivo.
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Este projecto propõe uma ocupação temporária dos lugares.
A estrutura modular, à qual se justapõem painéis amovíveis revestidos de vegetação, prevê a sua desmontagem e a futura adaptação a um novo lote.
Em função das dimensões do novo local de implantação, assim o conjunto pode ser ampliado ou diminuído, mercê do acréscimo ou supressão do número de tramos que o compõem.
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A Arquitectura adquire, deste modo, um cariz itinerante.
Ocupa um lugar, enquanto essa ocupação consubstancie uma alternativa válida ao Vazio e sem pretender substituir a iniciativa de proprietários públicos ou privados.
Depois, parte.
Porque espaços há na cidade que ainda não são Cidade.
A Cidade somos nós.
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